

NÁDIA
Texto de Ana Laureano
http://www.geocities.com/analaureano/Kids-main.html
Como a Nádia era uma menina muito boazinha, os pais decidiram fazer-lhe uma surpresa no aniversário e ofereceram-lhe um cãozinho.
O cãozinho e a menina tornaram-se muito amigos. Nem de noite se separavam, pois ele dormia sobre um velho tapete no quarto da dona.
Durante o dia brincavam no quintal e a noite o pai levavá-o à passear.
Mas o cãozinho, disse a mãe da Nádia, precisava de ter um nome. Não se podia chamar só "cãozinho".
A Nádia fartou-se de pensar: como havia de chamar-lhe? "Ossinhos"? pensou. Talvez "Abanico" pois ele estava sempre a abanar a cauda... E se fosse "Orelhas"? Como ele tinha orelhinhas sedosas...
Mas não gostava de nome nenhum. Será que alguém a podia ajudar? E deu um papelinho em branco a cada uma das suas amigas. Assim elas podiam escrever qual o nome que achavam melhor.
Era uma boa ideia, não era?
Foi a Vanessa, a melhor amiga da Nadia, quem disse: "Ele tem umas manchinhas tão engraçadas...parecem bolinhas..."
É isso mesmo!, disse a Nádia. Vou chamar-lhe Bolinhas!
E o cãozinho, ao ouvir esse nome, abanou a cauda de alegria.


Ouvindo Grilos
Maria Hilda de J. Alão
- Filha, que fazes aí sentada na escada da varanda a esta hora da noite? Não estás cansada depois da aula de música?
- Estou ouvindo os grilos, mamãe! – respondeu a menina de sete anos à pergunta da mãe.
- Não vejo graça na cantoria dos grilos. – disse a mãe.
- É que você, mamãe, ouve com os ouvidos de fora. Eu não. Eu fecho os olhos e deixo o canto penetrar nas minhas orelhas, escorregar pelos meus tímpanos e cair na minha alma preparada para receber esta orquestra de seres pequeninos. Posso até identificar em qual das notas musicais cada um deles cricrila.
- Lili, tu és sonhadora...! Escuta, escuta, agora tem um coral de sapos. – disse a mãe rindo.
- Nada disso. Vê como você não usa os ouvidos da alma! O canto é das rãs lá do ranário do vovô Dudu. – disse Lili de olhos fechados apurando os ouvidos de sua alma pura de criança.


O sonho da boneca
Maria Hilda de J. Alão.
Lili, rósea boneca,
Sonha ver toda manhã
Cair flocos de neve
Do céu do seu armário.
Sonha ver a prateleira,
A rua onde ela mora,
Coberta de neve durinha
Pra deslizar com patins
Imaginando um bailado
De fantásticas piruetas
Nos braços do boneco
Da prateleira de cima.
Sonha Lili, sonha,
Pois tu és fruto do sonho
De todas as menininhas
De embalarem um dia
Uma boneca rosadinha,
Que não se vende em lojinhas
Nem dorme em armários
Só em braços maternos.


O GATO SORRATEIRO
Marlene B. Cerviglieri
O gato sorrateiro
O aquário foi cheirar
Com a água gelada
Só pode suspirar!
Não desiste o bichano
Volta a carga, devagar
E como de imediato
Gelado se fez ficar...
Mia, Mia meu gatinho
Deixa eu te enxugar
Aprenda a lição
E no seu canto vá nanar...



A SAPA SUZI CLARA
Maria Hilda de J. Alão.
http://paginas.terra.com.br/lazer/eraumavez/asapasuziclara/asapasuziclara.htm
Suzi Clara, tristonha, sentada numa vitória-régia, olhava-se na água do rio suspirando saudosa do companheiro distante. E resolveu viajar, como se estivesse no mar, naquela vitória-régia para concretizar o sonho de um dia muito amar aquele sapo fujão, que preferiu morar no fundão daquele imenso matão.
A correnteza levou Suzi Clara pelo rio de água clara, que mais parecia uma estrada de prata sob a luz do luar.
- Meu Deus! Como é belo! Quanta fartura! – pensou a sapinha olhando a natureza exuberante nas margens daquele rio. Amanheceu e Suzi Clara continuava sua viagem agradecendo a chance de sentir o perfume das flores e dos frutos; ver peixes pulando na água; as garças preguiçosas dormitando numa perna só; ouvir canto da passarada voando contra o azul do céu; cobras apressadas saindo do capinzal; o jacaré fingindo dormir; a onça chegando sorrateira; o marulhar suave da água do rio, lembrando uma canção de ninar, correndo na direção do mar e pela abundância de insetos, seu alimento de todos os dias.
Diante dessa maravilha, Suzi Clara esqueceu o motivo da sua viagem e a tristeza desapareceu. Ouviu o coaxar de outros sapos, e resolveu aportar na margem direita para desfrutar daquela paz, daquela felicidade que pensava estar tão longe, lá nos cafundós da floresta, mas ela estava ali bem perto dos seus olhinhos agora abertos para a realidade. Aprendeu a olhar em torno de si e descobrir os baús que Deus põe ao alcance de todos, carregadinhos de felicidade. É só abrir os olhos e saber enxergá-los.



Pensamentos dum passarinho
Maria Hilda de J. Alão.
http://www.contos.poesias.nom.br/historiasparaoneto/historiasparaoneto.htm
Sou um passarinho
Morando numa gaiola.
Eu sonho livre voar
Na floresta e voltar a cantar,
Beber água das fontes
Pousar em todas as pontes.
Para ouvir o canto do rio,
Faça calor ou frio,
Correndo para o mar.
Sou da montanha e da campina,
Nasci da vontade divina
Que me deu duas asas
Pra eu voltar para casa.
Quero escolher as sementes,
As folhas e os insetos dormentes
Para ingerir quando com fome
E não comer coisas que o homem
Compra no supermercado.
Eu me sinto injuriado
Neste pequeno quadrado,
Embora eu seja amado,
Sinto um nó na garganta
Que sempre se agiganta
Quando emito meu gorjeio,
E a criança de bons ouvidos
Percebe nas notas gemidos
Vindos do coração
Deste pássaro que vive na prisão.




O Piano e as Teclas
Marlene B. Cerviglieri
A sala era muito grande, toda circundada pelas janelas altas, com vidros coloridos.Quando o sol batia ali parecia que um grande arco íris estava dentro da sala. Era ali, que estava o imenso piano. De cor preta com imensa cauda brilhando sempre. O banquinho que sempre o acompanhava era da mesma cor, preto brilhante e com o estofado vermelho. Orgulhava-se de acompanhar o piano seu grande senhor. Por cima deste não havia nada.Não colocavam vasos nem porta retratos que era para não arranhar o móvel tão maravilhoso. E o som que dali saia então, era divino. Mas com tudo isto o piano estava triste. O som já não era o mesmo. O que estaria acontecendo?
O banquinho andava meio nervoso, pois percebendo toda esta tristeza não podia fazer nada. Ah, pensou, vou perguntar direto para ele. Assim o fez.
- Diga-me senhor piano o que está acontecendo? Sinto sua tristeza seu som não está igual.
- É, meu amigo, as coisas não vão bem.
- Por quê? Posso saber ou ajudar?
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O Jardim Encantado
Marlene B. Cerviglieri
http://www.contos.poesias.nom.br/historiasinfantis/historiasinfantis.htm
Entrei, como faço todos os dias, arrastando minha mochila, como sempre estava muito pesada. Para minha surpresa ali estava um lindo jardim.
- Como? pensei eu - ontem não tinha nada!
Fiquei encantado olhando o baldinho da fonte descer e subir trazendo a água. No chão, ao invés de terra, havia pedrinhas redondinhas de vários tamanhos.
As flores estavam em vasos lindos coloridos que caiam de uma cerca feita de bambu em quadradinhos todos iguais. Havia também um caminho para se passar todo de plaquinhas cortadas.Fiquei admirando o jardim e logo vi um pássaro que se aproximou indo beber a água do bebedouro e para meu espanto passou correndo pela fonte molhando-se todinho. É sem duvida um jardim Encantado - pensei eu, apareceu aqui hoje, mas como?
Coisas da vida moderna de hoje explicou-me minha professora.O jardim foi construído de forma diferente, existe sim terra embaixo das pedrinhas.As plantas estão mesmo plantadas em vasos com terra e adubadas.
Portanto não se espante por não ser um jardim encantado. Faz parte de nosso projeto que está sendo elaborado pela equipe das professoras. As paredes estão sendo pintadas de acordo com o tema e logo você terá também outra surpresa. E assim sentei-me no meu lugar e fiquei imaginando: Poderia eu montar um jardim em meu quarto?
Seria mesmo um jardim encantado, teria de sumir quando mamãe entrasse.



O Piu-Piu chorão
Marlene B. Cerviglieri
O galinheiro era muito grande, e no meio dele havia uma enorme goiabeira. Não só dava muitas frutas, como também uma boa sombra nos dias muito quentes. A família do galinheiro era muito grande. Havia a família do pato preto, a da galinha ruiva, que cacarejava o tempo todo e a da galinha carijó.
Esta última tivera os seus pintinhos há pouco tempo e passeava com eles pelo galinheiro muito orgulhosa. Mas existe sempre um senão. Todos os pintinhos eram bem engraçadinhos, apenas um se destoava do bando. Chorava o tempo todo.
Dona Carijó estava ficando impaciente com ele. Ciscava e dava para ele comer, mas não adiantava o piu-piu continuava chorando.
Um homem começou a olhar cada pedaço do galinheiro. Viu tudo, e chegou no piu-piu. Dona Carijó ficou toda arrepiada:
- O que será que ele vai fazer com o meu piu-piu chorão?
O homem falou: - Eu preciso de meio limão e sal.
Assim foi. Agarrou o piu-piu chorão espremeu o limão e colocou um pouquinho de sal. Dona Carijó fechou os olhos e ficou apavorada, mas logo em seguida estava o seu pintinho andando normalmente e não mais chorava.
- Vejam só o que é saber das coisas! Pensou a Carijó.
- Era apenas uma pelezinha que foi tirada e pronto!
- Aprendi muito hoje.
- Deve-se sempre procurar ajuda, mas no lugar certo. Não se deve desistir, se um de nossos filhinhos for diferente, devemos procurar quem entenda verdadeiramente do assunto. Jamais ir rotulando ou deixando que o rotulem, sem ter certeza do que está acontecendo.
O galinheiro voltou ao seu dia normal, as goiabas caiam, a sombra era boa e a vida continuou ali muito bem.
Dona Carijó ficou feliz em ver seu filho curado.

