

29.03.2007
COELHINHO ESPERTO
Marlene B. Cerviglieri
Uma manhã depois de se fartar de tanta verdura o coelhinho rajadinho, assim era chamado, pois era todo branco com algumas manchas pretas, resolveu sair da gaiola. Ah, pensou ele: quero dar uma voltinha par aprender alguma coisa mais. Saiu saltitante como são os coelhos, e foi parar bem no meio da floresta que havia na fazenda.
- Puxa que coisa maravilhosa! Quanta árvore e vegetação!
Ficou muito encantado mesmo, foi entrando cada vez mais. De repente surgiu um tatu... O coelhinho, que não conhecia nenhum outro bicho, levou um susto.
- Quem é você?
- Ora, sou o tatu! Respondeu.
O coelhinho chegou até perto, meio com medo e colocou o nariz no tatu.
O tatu que era muito esperto e conhecia muitos bichos, riu do coelho.
- Veja, coelhinho, existe duro e mole...
- O quê? Perguntou o coelhinho.
- É, meu amigo, duro sou eu e mole é você.
- Ah, entendi. Quer dizer que existe diferença entre duro e mole.
- Sim, e você sente isto.
- Veja aqui outra diferença: Nós estamos embaixo da árvore, certo?
- Sim.
- E o nosso amigo lá, o passarinho, está em cima da árvore. Entendeu?
- Sim. Embaixo e Em cima.
Ficou feliz de aprender, disse adeus ao tatu e voltou pulando para sua casa.
- Meus irmãos - disse quando chegou -, aprendi muito hoje, sei agora o que é duro e o que é mole!
- Vejam - e foi dando instruções para seus irmãos -, coisas simples de se aprender.
- E você já sabe estas diferenças?
Se não souber leia novamente e o tatu irá explicar. Seja um coelhinho esperto!


A Oncinha pintada
Marlene B. Cerviglieri
Na floresta havia muito que se fazer. Todos estavam empenhados em buscar alimentação e cuidar de seus ninhos, tocas suas casinhas. O senhor tatu cavava muito fundo sua toca, os pássaros estavam buscando gravetinhos folhinhas secas para abrigarem seus ninhos. Apesar de tanto trabalhos estavam alegres e se comunicavam uns com os outros, naquela linguagem dos bichos. Tudo ia indo muito bem, até que a oncinha pintada e a leoa começaram a se agredir. Coisa feia , xingavam chegavam a rosnar alto. Vieram as mamães como sempre para separar as briguentas. A leoa dizia para a oncinha:
-Sua pintada, você é cheia de manchas...
A oncinha chorava e dizia:
-Nasci assim sou igual minha mamãe, e você é rabuda...
Assim gritando uma com a outra, coisa feia de se fazer, foi que a mamãe da oncinha resolveu falar.
-Vocês são ingratas, as duas. Vejam por exemplo a arvore da jabuticaba!
-E o que tem a jabuticabeira a ver conosco?
-muito mesmo.
-Já explico.
-De que cores são suas frutas?
-Ah, pretinhas eu acho e gostosas...
-Muito bem,, e antes que cor tem?
-Bem, eu não sei, verde das folhas - disse a oncinha.
-Não ela floresce todinha com florzinhas brancas. Depois é que se transforma em fruta, muito gostosa não é?
-Mas não entendi o que isto tem a ver com a gente?
-Sim, tem e muito. A oncinha é pintada , a leoa não. Existem muitas diferenças entre nós todos. Você oncinha é pintada por fora na pele, mas por dentro é branquinha.
-Como branquinha?
-Você é uma boa oncinha, ajuda seus amiguinhos, é boa filha, não diz mentira, faz suas tarefas, isto a torna branquinha por dentro. A jabuticabeira é boa conosco nos dá sua parte boa, seus frutos, mas antes nos mostra sua parte boa que são as flores brancas. Como já disse, existem diferenças e devemos aceitá-las e não apontar aos outros o que tem de diferente. Nós também temos nossas florzinhas brancas e devemos usá-las para fazer o bem.
-Então eu tenho flor dentro? - Perguntou o coelhinho interessado.
-Sim, e muitas folhinhas verdes também.
Todos riram e a briga acabou. É assim mesmo, nós temos diferenças não somos iguais. Talvez um dia estas diferenças venham a nos ajudar, assim como ajudou a oncinha pintada. Que tal, vamos chupar jabuticabas?


A árvore crespinha
Dentro de um parque muito lindo estava a árvore crespinha. Era assim que os demais moradores a conheciam. Era muito alta e toda coberta de folhinhas dando a impressão que foram colocadas uma a uma no tronco dela. Os pássaros gostavam de conversar com ela, pois sempre aprendiam alguma coisa nova. Tinha sempre boas palavras para todos e dificilmente se irritava. Ficava muito feliz, pois em seus galhos abrigava muitos ninhos de pássaros que vinham de longe, para ali construírem seus ninhos.
Os pássaros procuravam ajudar as mamães na formação dos ninhos, e todos buscavam gravetinhos. Também frutinhas das quais se alimentavam. Tomavam seus banhos e brincavam saltando de um lado para outro. Mas eis que começou a se formar uma nuvem grande e escura. Estava carregada e logo iria despejar toda água no parque.
Voavam todos para seus ninhos suas casinhas a fim de se abrigarem da chuva que já vinha chegando. E ai começou a cair muita água e até pedrinhas que chamamos de granizo. É muito bonito de se ver, mas estas pedrinhas, granizo machucam as plantas e, conforme o tamanho, quebram até telhados. Por uma meia hora foi uma tempestade bem forte. Quando passou havia um silêncio no parque.
Hora de se ver os estragos. Quanta plantinha não resistiu, e muitos filhotinhos caíram do ninho e estavam mortos no chão.
Que tristeza de se ver.
Os moradores da árvore crespinha estavam todos bem.
Na hora da chuva a árvore pediu que viessem se abrigar no meio das folhinhas enrolando seus filhotinhos e assim o vento não os derrubou. Agora podiam voltar para seus ninhos.
E lá no alto da árvore os pássaros cantavam felizes novamente. Tudo é tão passageiro, passa depressa. Não acontece novamente da mesma forma, vamos fazer agora pois amanhã poderá não ter mais volta. E ali ficou a arvore crespinha sempre alegre e feliz conversando com quem quisesse falar com ela.
Não havia no parque árvore mais feliz.
- E você já disse e pensou alguma coisa boa hoje? De minha parte um abraço e um grande beijo em teu coração.
Marlene B. Cerviglieri


Chinelos encantados
Irani Alves Genaro
Um dia uma garotinha
Comprou numa liquidação
Um chinelo cor de rosa
Com laçarotes de cordão.
Ela nem imaginava
O que iria acontecer,
Aqueles chinelos novos, iriam dar o que fazer!
Chegou em casa tão feliz
E os pôs perto da cama,tirou a roupa que usava e colocou um pijama.
Porém aqueles chinelos tinham sido enfeitiçados,
Ao ver alguém de pijama em seus pés eles entravam.
E depois o que faziam?
Você é capaz de imaginar?
Os chinelos tinham poder de fazer qualquer um voar.
A janela estava aberta e os chinelos com bravura,
Levaram logo a menina ao encontro da aventura!
Os chinelos voadores
Também conseguiam falar,
Mas, isso só acontecia,
Quando estivessem no ar.
-Ouça, disseram à menina:
Não queremos te machucar,mas sim,mostrar
Que no mundo,tem coisas para consertar
